A busca por operações mais sustentáveis deixou de ser apenas uma tendência e passou a fazer parte da estratégia de empresas que precisam equilibrar competitividade, eficiência e compromissos ambientais. Nesse cenário, a escolha do modal de transporte tem impacto direto na pegada de carbono das cadeias logísticas.
Um levantamento realizado pela Norcoast, mostra como a cabotagem pode contribuir para reduzir significativamente as emissões de gases de efeito estufa no transporte de cargas. Em 2025, as operações da companhia evitaram a emissão de 317,8 mil toneladas de CO₂ equivalente (CO₂e) quando comparadas a um cenário em que os mesmos fretes fossem realizados exclusivamente por rodovias.
O estudo reforça o potencial da cabotagem como alternativa para tornar a logística brasileira mais eficiente e ambientalmente responsável, especialmente em um país de dimensões continentais como o Brasil.
O estudo analisou 49.611 fretes realizados em 2025, que movimentaram aproximadamente 957,2 mil toneladas de cargas.
A comparação considerou dois cenários:
Os resultados demonstram uma diferença significativa nas emissões de gases de efeito estufa.
Além da redução total das emissões, o estudo mostra que a intensidade de carbono da cabotagem também é significativamente menor.
Enquanto a operação da Norcoast registrou 128,72 kg de CO₂e por tonelada transportada, o cenário exclusivamente rodoviário atingiria 460,73 kg de CO₂e por tonelada, indicando que a cabotagem emitiu aproximadamente 3,6 vezes menos carbono por tonelada transportada.

Na logística brasileira, o transporte rodoviário continua sendo essencial para conectar fábricas, centros de distribuição e clientes finais. Entretanto, nos percursos de longa distância, a utilização da cabotagem reduz a necessidade de grandes deslocamentos rodoviários, contribuindo para uma operação mais eficiente do ponto de vista ambiental.
Segundo Fabiano Lorenzi, CEO da Norcoast:
“Quando olhamos para quase 50 mil fretes analisados, o dado deixa de ser pontual e passa a mostrar um padrão da operação. A cabotagem não elimina o transporte rodoviário, que segue essencial nas pontas, mas reduz a dependência de longos trajetos por estrada e melhora de forma relevante a intensidade de carbono da cadeia logística.”
Esse modelo combina as vantagens de cada modal, utilizando o caminhão nas etapas em que ele é mais eficiente e a navegação costeira para percursos de longa distância.
Outro aspecto destacado pelo levantamento é que os ganhos ambientais não ficaram concentrados em um único cliente ou segmento.
Entre os dez maiores embarcadores analisados, a redução das emissões variou entre 63% e 75%, demonstrando consistência mesmo em diferentes rotas e perfis operacionais.
Nos setores de polímeros, plásticos e embalagens, algumas operações evitaram individualmente entre 9.455 e 13.116 toneladas de CO₂e durante 2025, com reduções entre 71,4% e 73,2% quando comparadas ao transporte exclusivamente rodoviário.
De acordo com Lorenzi:
“Mais do que um percentual isolado, o que o levantamento mostra é a regularidade do ganho ambiental da cabotagem. Mesmo quando observamos operações com características diferentes, a redução se mantém relevante. Isso reforça que a eficiência do modal não depende de uma rota específica ou de um caso excepcional, mas de uma lógica estrutural.”
A metodologia utilizada segue as diretrizes internacionais do GHG Protocol, referência mundial para contabilização de emissões de gases de efeito estufa.
Para calcular as emissões da operação intermodal foram considerados:
Na simulação do cenário exclusivamente rodoviário foram utilizados exatamente os mesmos pontos de origem, destino e volumes transportados, permitindo uma comparação equivalente entre os dois modelos logísticos.
O levantamento também apresenta indicadores relacionados à operação da Norcoast em 2025.
A frota, composta pelas embarcações NC BRavo, NC BReda, NC BRisa e NC BRuma, percorreu 281.617 milhas náuticas durante o ano e consumiu 34,6 mil toneladas de LSFO (Low Sulfur Fuel Oil), combustível marítimo de baixo teor de enxofre.
Já os trechos rodoviários utilizados para coleta e entrega das cargas somaram 103,1 milhões de toneladas-quilômetro (tkm).
Outro destaque foi o desempenho ambiental da frota. Todas as embarcações mantiveram Rating B no Carbon Intensity Indicator (CII), indicador da Organização Marítima Internacional (IMO) que mede a eficiência de carbono dos navios. O CII médio da frota foi de 8,1 gCO₂/dwt·nm, resultado inferior ao limite estabelecido pela IMO para 2025.
Além dos benefícios ambientais diretos, o levantamento pode auxiliar empresas na elaboração de seus inventários de emissões.
Os dados permitem maior rastreabilidade das emissões associadas ao transporte contratado, facilitando o acompanhamento do Escopo 3 do GHG Protocol, categoria que reúne as emissões indiretas da cadeia de valor.
Com informações por frete, rota e operação, os embarcadores conseguem avaliar como a escolha do modal influencia a pegada de carbono de suas cadeias logísticas e utilizar esses dados em suas estratégias de sustentabilidade.
Como destaca o CEO da Norcoast:
“Empresas de diferentes setores estão sendo cada vez mais cobradas a medir a pegada de carbono de toda a cadeia de valor. Quando conseguimos mostrar esse impacto por frete, rota e operação, a escolha do modal deixa de ser apenas uma decisão de custo ou prazo e passa a fazer parte da estratégia de sustentabilidade e competitividade dos negócios.”
Os resultados do levantamento mostram que a cabotagem pode desempenhar um papel relevante na redução das emissões de gases de efeito estufa no transporte de cargas, mantendo a integração com o transporte rodoviário e contribuindo para operações mais eficientes.
Em um contexto em que empresas buscam reduzir impactos ambientais sem abrir mão da competitividade, estudos baseados em dados operacionais oferecem informações importantes para apoiar decisões logísticas e fortalecer estratégias de descarbonização da cadeia de suprimentos.